Dilma Roussef precisa aprender a ouvir.

13/06/2013 11:21

Fernando Collor de Mello implorou, antes de ser abandonado: “Não me deixem só!”. Agora, alguém no Planalto precisa gritar: “Não a deixem só!”. Resta saber se a presidente Dilma vai ouvir esse apelo. Precisar, precisa. Seu estilo de governo centralizador e autossuficiente já está dando tapas na cara de quem tenta tirá-la desse retiro espiritual que ela insiste em praticar em plena crise de mandato.

Pena que falte humildade à nossa maior governante, qualidade imprescindível, principalmente em momentos de aperto — no caso, econômico. O País já dá sinais claros de que a inflação não é um dragãozinho de pelúcia no sofá da sala de reuniões do Banco Central. O bicho ainda solta suas labaredas, basta ver as ardentes remarcações nas prateleiras de supermercado e o chamuscado orçamento das famílias brasileiras. Tá puxado.

Todas as análises sérias de economistas (inclusive os do governo) apontam para um descontrole no custo de vida. Nem carece ser gênio: a inflação oficial acaba de alcançar o teto da meta estabelecida pelo próprio Ministério da Fazenda, de 6,5%. Precisa desenhar? Gráficos não faltam. Estão todos na mesa da presidente. Mas haja teimosia. Para ela, está tudo sob controle. Aham.

A mulher não sabe ouvir um bom e sonoro “não”? Parece. Ou é burrice, ou é arrogância. Como ela é inteligente, só nos resta imaginar que a comandante se sinta imaculada pelos seus índices de popularidade (que, embora se mantenham altos, já mostram evidentes sinais de desgaste). Quem avisa, amigo é. Dilma Rousseff é uma pessoa de poucos amigos, pelo visto.

Recentemente, presenciamos um episódio em que o estilo Dilma de ser nos deixou perplexos e preocupados. Quando do incidente envolvendo boatos de que o Bolsa-Família iria acabar, a “presidenta” (então ela é nossa “governanta”?) foi de uma empáfia digna de antigos coronéis. Só para não ter de pedir desculpas (essa palavra que só ouvimos na boca de grandes estadistas), preferiu pronunciar frases desconexas e inúteis, em vez de assumir que a Caixa tinha pisado na bola (de tanto patrocinar times de futebol?).

Para quem havia dito que a boataria era “algo absurdamente desumano” e que “o autor desse boato é criminoso”, não custava assumir a lambança de seus subordinados. Mas não. O governo Dilma Rousseff não erra, imagina ela mesma, em seus delírios de santidade. Se não aprender logo a conviver com adversidades, quem corre perigo é esta pobre nação. Quem não enxerga problemas, jamais vai solucioná-los. Dilma precisa aprender a ouvir críticas.

Ou então, a ouvir uma canção, composta pelo ex-ministro Gilberto Gil. Alguém poderia mandar um buquê de flores (com espinhos, de preferência) para a presidente. No cartão, os versos da famosa “Preciso aprender a só ser”, resposta a outra música,  de Marcos Valle, também muito apropriada, "Preciso aprender a ser só".  Lá pelas tantas, a letra do bom baiano diz: “Eu sei que no fundo o problema é só da gente”. Para bom entendedor, basta.

 

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